Everton Medeirios

Everton Medeirios

Escritor
Everton Medeiros

Apresentação

Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou

casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna

decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco freqüentadas, é freqüente encontrarem-se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida.

O desejo de sossego e a conveniência de preços levaramme,

em um período da minha vida, a ser freqüente em uma

sobreloja dessas. Sucedia que quando calhava jantar pelas

sete horas quase sempre encontrava um indivíduo cujo aspecto,

não me interessando a princípio, pouco a pouco passou

a interessar-me.

Era um homem que aparentava trinta anos, magro,

mais alto que baixo, curvado exageradamente quando sentado,

mas menos quando de pé, vestido com um certo desleixo

não inteiramente desleixado. Na face pálida e sem interesse

de feições um ar de sofrimento não acrescentava interesse,

e era difícil definir que espécie de sofrimento esse ar

indicava — parecia indicar vários, privações, angústias, e

aquele sofrimento que nasce da indiferença que provém de

ter sofrido muito.

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